

– Nunca vi uma pessoa rir da própria desgraça - disse um rapaz desconhecido que a via chorar e sorrir ao mesmo tempo -
– É que minha vida é uma comédia dramática senhor - sorriu irônica -– Finjo que acredito, jovem como eu, que problemas pode ter?– Tem paciência?
– Toda.– Tá, então, presta atenção. Na madruga dessa segunda-feira chuvosa meu coração foi cruelmente despedaçado, cortado, pinicado, e outras formas de morte por facas. Estou há muito tempo mordendo os lábios para reter as lágrimas, uma técnica que uso faz tempo. Quem disse que chorar ajuda a passar a dor está totalmente enganado, elas rasgam seu rosto, corroem seu coração. Bom, como eu estava dizendo, eu como qualquer ser humano burro me apaixonei, via nele um super-herói, o amor da minha vida, sabia que não era perfeito, mas estava disposta a aguentar todos os seus defeitos, porém não consegui. Ele tinha um defeito que eu não conseguia conviver, o de me magoar constantemente. E não me venha falar de tentar esquecer, porque é exatamente isso que faço todo longo dia, mas uma vez ou outra uma lágrima escorre, fazendo arder, mas eu sou filha, sou irmã, sou aprendiz, sou uma garota, visto minha roupa, sorrisos ali, sorrisos aqui, engano a todos. Olha pra fora, vê a chuva e os postes iluminando as árvores? É tudo muito lindo, assim como meu coração era. Pronto, chega, o que pode fazer por mim agora?- ele sorri - Comprar uma caixa de lenço de papel? - ele a olha nos olhos - …ou um abraço.
- ela sorri - Aceito a primeira opção.